A médica pediu a ressonância em março. Estamos em junho e nada. O portal da prefeitura mostra “em fila”. O posto diz para “aguardar”. A sensação é de impotência — e não é exagero seu. Atraso em exame de média complexidade é uma das reclamações mais comuns nas ouvidorias do SUS em todo o país.

Primeiro passo: transformar reclamação em registro

Sem papel, você não existe na fila. Peça cópia do pedido médico com CID, data e carimbo da unidade. Guarde o comprovante de protocolo de regulação — aquele número que alguns municípios geram no sistema. Se não der, fotografe a tela do sistema na presença do atendente (com educação; muitos aceitam).

Anote cada ligação: quem atendeu, o que disseram, horário. Parece burocracia? É. Funciona quando você precisa escalar.

Caminho administrativo, na ordem

1. Unidade solicitante. Volte ao UBS ou hospital que encaminhou. Pergunte posição na fila e prazo estimado por escrito, se possível.

2. Secretaria municipal de saúde. Regulação costuma ser municipal para ambulatorial e exames eletivos. O site da secretaria costuma ter canal de ouvidoria.

3. Ouvidoria do SUS (OUVSUS). Atende pelo 136 e pelo formulário federal. Leva o protocolo que você guardou.

Urgência real muda o jogo — mas “urgência” precisa estar no laudo, não só na sua ansiedade legítima.

Quando a demora vira risco

Se o médico indicou suspeita que não pode esperar, peça que isso conste no encaminhamento. Casos oncológicos, por exemplo, têm fluxos prioritários em muitos estados — quando o sistema obedece à regra. Em Recife e em Porto Alegre vimos relatos diferentes de prazo para o mesmo exame; a regra existe, a aplicação varia.

E o Judiciário?

Ação de saúde é caminho possível, mas pesado. Muita gente consegue destravar antes pela ouvidoria. Se for à Justiça, a Defensoria Pública pode ajudar quem se enquadra — veja nosso texto sobre quem tem direito. Advogado particular também entra, com custos.

O que não resolve

Golpe de “fila rápida” paga por fora. Boato de WhatsApp com telefone não oficial. Postagem viral sem fonte. Desconfie.

O que levar na ouvidoria

RG, cartão SUS, pedido médico, comprovantes de protocolo e uma linha do tempo simples: “Solicitei em [data], retornei em [data], disseram [o quê]”. Quanto mais objetivo, mais difícil ignorar.

Nossa opinião: o SUS é direito, não favor. Cobrar com educação e documento não é ingratidão — é o mínimo para que o sistema funcione como promete. E quando mil pessoas fazem o mesmo, a fila às vezes anda.